Ruth Bolognese 11/03/10

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Data: 11/03/2010 16:41:39 [455 Palavras]
Publicação: Tribuna do Interior (Brasil)
Autor: Tribuna do Interior
Assunto: Redação


Esqueçam o que vivi

            O PT atazanou durante anos o presidente Fernando Henrique Cardoso por causa daquela frase infeliz "esqueçam o que escrevi" onde o Príncipe dos Sociólogos tentava justificar eventuais guinadas à direita do governo dele, dizendo que no exercício do poder não poderia aplicar as teorias de um opositor contumaz do regime militar. Agora, o PT que está no poder vai ter que encarar uma comparação difícil de engolir que o ex-sindicalista de esquerda,Luiz Inácio da Silva, fez ontem. Numa entrevista a jornalistas estrangeiros, ao responder sobre a greve de fome dos dissidentes cubanos, Lula colocou no mesmo patamar presos políticos, aqueles que perdem a liberdade por causa de idéias e ações contra as ditaduras de plantão e bandidos presos por crimes que vão de estupros seguidos de morte, latrocínio, tráfico, a seqüestros. Algo assim como comparar Nelson Mandela a um tipo como Fernandinho Beira Mar.



            O presidente Lula ficou preso 40 dias por conta do ativismo sindical nas montadoras do ABC paulista na década de 80 e sempre se orgulhou deste período da própria biografia que lhe abriu caminho para a política e, finalmente, para a Presidência da República. Ao comparar presos políticos a bandidos comuns reprisa FHC e recomenda, de certa forma, que "esqueçam o que vivi". A lamentar que, tanto no caso de FHC como no de Lula, ambos pedem que a gente esqueça a melhor parte da biografia deles e nos levam a duas conclusões óbvias: 1) se queres conhecer um homem, dê-lhe poder; 2) a gente conhece um homem muito mais pelo que ele esconde.



A Casa dos Apelidos



            Os vereadores de Curitiba debatem projeto de lei que quer acabar com os apelidos na casa. Mais uma perda de tempo: depois que Lula foi eleito presidente do Brasil, apelido virou coisa chic e há muito tempo a lei eleitoral o permite. E de mais a mais, apelidos como "João do Suco" ou "Julião da Caveira" ou algo que o valha, estão de acordo com o nível dos debates e da eterna subserviência que caracterizam a atuação daquela Casa de Leis.

            Outrossim, considerações como esta sobre a Câmara de Curitiba explicam porque esta brava colunista, conhecida em muitos círculos políticos como ofídica,a exemplo do sapo do mestre Guimarães, não destila veneno por boniteza,mas por "percisão".



Mesma cruz



            Com um ano de diferença,o ministro Paulo Bernardo, 58, e o vice-governador ,Orlando Pessuti, 57, fazem aniversário no mesmo dia, ontem, 10 de março. Além da data, ambos tem mais uma coisa em comum: a sina de conviver bem próximo ao ao governador Roberto Requião. No momento, quem carrega a cruz mais pesada é o ministro Paulo Bernardo.
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