Ruth Bolognese 09/03/10

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Data: 09/03/2010 06:40:04 [554 Palavras]
Publicação: Tribuna do Interior (Brasil)
Autor: Tribuna do Interior
Assunto: Redação


A raiva de Lula

            A um graduado interlocutor paranaense, que foi medir a temperatura política no primeiro gabinete, o presidente Lula deixou claro que está irritado, muito irritado com o governador Roberto Requião e suas estripulias políticas, principalmente a última em que não deixou alternativa ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a não ser recorrer à Justiça para não passar recibo de ladrão. Tão irritado está o presidente que pediu a este mesmo interlocutor uma semana pelo menos para digerir a raiva e reiniciar as tratativas para unir PMDB, PT e PDT no palanque da candidata Dilma Rousseff no Paraná. E as tratativas passam, obviamente, pelo governador Roberto Requião. O prazo pedido por Lula se encerra exatamente no próximo final de semana quando o presidente Lula virá ao Paraná, mais especificamente em Londrina, inaugurar obras. Quem sabe aí Lula volte aos bons tempos da campanha passada quando vinha a Curitiba e dizia que tinha "assim uma coisa de pele" com o governador.


                                                                     

            Enquanto isso, e agora que a poeira baixou um pouco, saíram a campo petistas e pedetistas paranaenses com a tarefa de isolar o entrevero entre o governador Roberto Requião e o ministro Paulo Bernardo nos limites das insatisfações pessoais. O objetivo é impedir que as provocações do governador contaminem o PMDB por inteiro e irritem tanto o PT que  inviabilizem uma futura união, no primeiro e, principalmente, no segundo turno entre os dois partidos em torno de uma única candidatura, à esquerda, no caso a do senador Osmar Dias,PDT. A briga PMDB/PT não interessa ao senador Osmar Dias porque o deixa sem um braço na eleição: sem o PMDB, perde a maior estrutura partidária do Estado e ainda facilita a vida dos deputados peemedebistas que vivem rondando a cerca do adversário Beto Richa.

            Em plena troca de acusações com o ministro Paulo Bernardo, no começo da semana passada,o governador chamou à sua casa no Bigorrilho o deputado-mor do PDT, Augustinho Zucchi, e no meio da conversa propôs que, se Osmar Dias abandonasse o PT à própria sorte no Paraná, o PMDB toparia apoiá-lo. De fato, a proposta não era de se ignorar, mas quando se trata de Roberto Requião todo cuidado é pouco. Zucchi não disse que sim, nem que não, e Osmar preferiu contabilizá-la na (extensa) conta dos impulsos insensatos do Governador. O tempo é de nervos de aço e por enquanto nenhum partido pode afirmar que conquistou este ou aquele aliado. E mesmo conquistando, pode esperar puladas de cerca ao norte, ao sul, a leste e a oeste.

           

Tática cubana



            No melhor estilo cubano de ser, o último preso político do Paraná,jornalista Juvêncio Mazarolo, de Foz do Iguaçu, ameaçou realizar uma  greve de fome para chegar a um objetivo bem definido, e digamos, pessoal: queria estabilidade no emprego na Itaipu Binacional, onde trabalha  desde 2003, no setor de Coordenação. Mas, ao contrário dos grevistas cubanos, Juvêncio não precisou morrer, melhor, nem começar a fechar a boca. Está devidamente assegurado através da matrícula nº 3776-1. A história toda, com riqueza de detalhes está no site Língua di Trapo, de Foz do Iguaçu. Juvêncio foi preso político tardio, no final da década de 70, quando já não era nem mais moda, e escreveu um livro sobre a experiência.
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