Amizade entre moradores reforça sensação de segurança

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Data: 08/03/2010 03:16:21 [969 Palavras]
Publicação: Tribuna do Interior (Brasil)
Autor: Tribuna do Interior
Assunto: Redação


Final de tarde no Jardim Copacana, vizinhos que param e conversam. Crianças saindo com a bola embaixo do braço correndo até a casa do lado. "O melhor daqui são os vizinhos", enfatiza a dona de casa Elci Simões Pires, de 53 anos. "Esse é um bairro muito bom, as pessoas que moram aqui, não tem igual. Mudei há quase 20 anos e não quero sair", a fala do pensionista Aleixo da Silva, de 80 anos, confirma o que a dona de casa Elci considera a grande diferença do Copacabana.



            O bairro residencial possui certa peculiaridade. Seus moradores e os amigos que vêm visitá-los, não conhecem as ruas por seus nomes oficiais. As sete ruas que formam o conjunto são nomeadas de Rua zero, Rua um, e assim por diante.

            A também dona de casa Geisimara Gomes, de 28 anos, está há pouco tempo morando no lugar, mas conta que é melhor do que onde morava. Segundo ela, a tranqüilidade do local é o que mais encanta.

            "A segurança aqui é realmente muito boa, não se tem do que reclamar, inclusive a iluminação aqui na minha rua, pelo menos é ótima. Às vezes eu saio aqui à noite e parece que é dia", afirma o mecânico Jessé Tonete, de 50 anos, morador há 18 anos do jardim. Em frente a sua casa Tonete tem uma oficina onde conserta veículos em meio a conversas animadas com os vizinhos.




O novo sempre vem

            Aos 80 anos, os últimos 20 passados na mesma casa, Silva sabe que as mudanças sempre acontecem, independente de qualquer vontade. Lembrando de seus primeiros tempos no Bairro o pensionista comenta que as coisas estão diferentes. "Em parte o lugar mudou para melhor, agora, em parte as coisas estão piores. Hoje, tem muito barulho, antes não era assim, abriram alguns bares por aqui, e fica gente na frente conversando", se queixa Silva.

            O bar que Silva reclamou pertence a Fausto Gurgel, de 69 anos. Ele conta que há 9 anos abriu o local, e apesar de morar no centro também tem reclamações sobre o bairro. "Aqui tem algumas ruas muito escuras, não são todas, mas falta um pouco de atenção das autoridades, inclusive em relação a limpeza", diz.    

 

Moradores apresentam problemas

            Apesar de gostar muito do lugar, os moradores do Copacabana não escondem que os problemas também existem por lá. Geisimara Gomes, que tem uma filha de 9 anos se preocupa com o trânsito. "Tem horas que fica perigoso, os carros costumam cruzar muito rápido, aqui é estreito, e como as crianças costumam ficar na rua, alguma hora pode acontecer acidentes feios", explica a dona de casa.

            A preocupação de Geisimara sobre as crianças na rua é freqüente em muitos pais e avós, como Elci Pires. "Aqui falta um lugar de lazer, nós temos alguns espaços abandonados por aqui e nada é feito. Já tentamos falar com governo, com todo mundo, mas ninguém faz nada. A prefeitura até falou que poderia fazer alguma coisa nesses terrenos, mas faltava liberação", reclama.

            A Secretaria de Planejamento explicou que o terreno citado pertence ao Departamento Estadual de Estradas e Rodagem (DER). "Aquela área, onde as crianças já vão para jogar bola, pertence ao DER. Para construir alguma coisa precisaria ser negociado entre a prefeitura e o governo do estado", esclarece Renato Ikeda, diretor da secretaria de planejamento da prefeitura.

           

Com a mão na terra



            Cansado de reclamar da falta de lugar para lazer, o mecânico Tonete chamou alguns vizinhos e colocaram a mão na massa, ou melhor dizendo, na terra. Em frente a sua oficina, um terreno na esquina estava abandonado e eles transformaram o lugar em uma pracinha. Orgulhosos mostraram que cada árvore lá, foi resultado do trabalho deles. "O que eu mais gosto daqui do Copacabana, além da segurança, são essas árvores. Fui eu mesmo que plantei, e hoje cresceram. O prefeito não fez, eu fui lá e fiz", fala orgulhoso.

            Tonete comenta que o ideal seria algum lugar para esporte e lazer de todos, mas enquanto isso não chega, os moradores, e quem passar pelo jardim, vão encontrar uma mesinha com vários bancos embaixo da sombra de grandes árvores. (AC)

 

População cobra posto de saúde

            Outro problema citado foi a falta de um posto de saúde no jardim ou mais próximo. Quando alguém aqui precisa de atendimento médico, o local mais perto é o Posto da Vila Urupês. "Quando preciso de médico é complicado, eu tenho alergia do sol, não posso ficar andando muito. Mas o problema nem é só esse, para conseguir marcar a consulta e os exames demora uma eternidade. Eu tenho um amigo que mora aqui também que demorou um ano para conseguir ser atendido, é um absurdo", reclama Aleixo da Silva. O pensionista ainda afirmou que se o Posto de Saúde fosse mais perto eles não achariam ruim ter de ir várias vezes.

            Geisimara Gomes também elencou a falta de um Posto próximo como um dos problemas a serem resolvidos pela administração municipal. "O posto de saúde e uma área de lazer para nossas crianças são o que ainda falta ser feito aqui no nosso Bairro", finaliza.

            Apesar do pedido ser quase unanimidade, há quem discorde da necessidade. "Não adianta falar que precisa de posto de saúde aqui. O bairro é pequeno, existem outros lugares que precisam mais do que a gente", explica.

            Ikeda afirmou que no final do ano passado foram realizadas audiências públicas em cada bairro para a definição do orçamento para os anos de 2010 a 2013. Nessas reuniões, a associação de moradores tinha a oportunidade de apresentar pedidos. "O que estiver no PPA [Plano Plurianual] nós vamos atrás para conseguir a captação de recursos", finalizou. (AC)


Por Ana Carla Poliseli, da Redação

 

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